– Ciúme patológico
Assim como todas as outras emoções, o ciúme faz parte de um processo natural e necessário do ser humano que todos nós experimentamos em algum momento de nossas vidas. Sentir ciúme pode ser uma resposta normal a situações em que nos sentimos ameaçados em nossos relacionamentos ou quando temos receio de perder alguém que amamos. No entanto, quando o ciúme se torna excessivo, irracional e dominante a ponto de prejudicar a vida pessoal e dos outros, pode se tornar um problema psicológico conhecido como ciúme patológico
No ciúme patológico (CP) existe uma preocupação constante e infundada, acompanhada da manifestação de diversos pensamentos com tema de infidelidade, emoções como insegurança, culpa, raiva, vergonha, tristeza, ansiedade e excitação. Além de comportamentos frequentemente inadequados como stalkear redes sociais, criar perfil fake para testar o(a) parceiro(a), verificar mensagens no celular, fazer interrogações para saber com quem o(a) parceiro(a) estava, o que fazia e onde, seguir o(a) parceiro(a), verificar bolsos e até mesmo agressões verbais ou físicas.
As causas do ciúme patológico podem ser complexas e variam de pessoa para pessoa: traumas emocionais passados, como experiências de traição ou abandono, podem deixar cicatrizes profundas que influenciam as atitudes em relacionamentos futuros. Além disso, questões de autoestima, insegurança e ansiedade também podem contribuir para o desenvolvimento desse padrão de comportamento obsessivo.
No geral, o ciúme não tende a ser um problema, mas quando experimentado de forma excessiva pode ter um efeito devastador nos relacionamentos interpessoais. O parceiro que é alvo do ciúme patológico pode sentir-se sufocado, controlado e incapaz de manter sua própria identidade e liberdade, levando a conflitos constantes, distanciamento emocional e, em casos extremos, pode até mesmo levar ao término do relacionamento.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é frequentemente utilizada para tratar o ciúme patológico devido à sua eficácia no tratamento de distúrbios ansiosos e de controle de impulsos.
– Término de relacionamento.
Terminar um relacionamento é uma etapa presente na experiência de se relacionar, eventualmente passamos por términos ao longo da vida; fechamento de ciclos são necessários, lidamos com emoções profundas neste período, assimilamos a perda e a nova realidade, o vazio que fica e a saudade.
O que muitos não sabem é que a interrupção de uma relação pode ser realmente uma vivência traumatizante para muitas pessoas. Isso porque o indivíduo sofre em nível psicológico, emocional e fisiológico, manifestações semelhantes que ocorrem com um enlutado, ou seja em alguém que acabou de perder, por exemplo, um parente para a morte.
O indivíduo no término de seu relacionamento sofre em sua existência a morte de alguém, passa pelas mesmas fases do processo do luto, e muitas vezes apresentamos extrema dificuldade ao lidar com algumas destas fases.
Pode ser verdadeiramente desafiador prosseguir sem o outro, se reconstruir e aproveitar o novo período sozinho para se reconhecer, sendo comum neste período o aparecimento de psicopatologias como a depressão e o pânico, que apesar de não se desenvolverem a partir dessa experiência de término (já que dependem de múltiplos fatores), o trauma do final de uma relação pode funcionar como gatilho para essas doenças.
Passar por um processo de psicoterapia facilita a elaboração de emoções profundas e difíceis, proporcionando instrumentos para que o indivíduo possa se apropriar melhor de seus pensamentos, sentimentos e comportamentos, transitando pelas fases do luto com mais segurança e aceitação.
Outros temas:
– Carência afetiva.
– Dependência emocional.
– Orientação sexual / Identidade de gênero.
Fonte: Classificação de Transtornos Mentais e do Comportamento da CID-10.